segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Debeixo pra cima de cabeça pra baixo

Quando eu resolvi criar esse blog há 04 anos atrás em 2008, eu nem imaginava que quatro anos depois, eu iria olhar pra trás e não ser capaz de descrever o que passou, como estou ou o que sinto... Eu estava deixando o Brasil para uma aventura, que tinha data de ínicio e fim, mas que acabou virando uma história sem fim. Sinto às vezes como se uma enxurrada tivesse passado e eu estivesse agora de cima de um telhado tentando entender por onde recomeçar. Nessas horas eu procuro um termo mais especifíco para descrver o que sinto e não consigo encontrar. Aí eu me pergunto, será que eu não sei ou não me lembro? Mudar de país e uma coisa maluca, acho que a melhor definiçãao que consegui encontrar até agora foi aquela história bem clichê que vemos o tempo todo, onde a pessoa bate com a cabeça, dorme e acorda em um outro lugar, uma outra era, você não esqueceu de nada, se lembra de tudo, mas não tem como explicar. De repente você fala outra língua, veste outras roupas, come outras comidas, assiste coisas parecidas mas com personagens diferentes... É uma viagem no tempo, ou como assistir sua vida passando na tela de uma TV, agora mais do que nunca eu entendo o sentido da palavra virtual. O que normalmente tem uma conotação futurista e tecnológica, mas pra mim nada mais se relaciona do que a distância, esta que cria uma lacuna, espaços, que se tornal preenchidos e afroxa os laços. Eu não sei se sinto dor, mas com certeza uma confusão. Tem muitas coisas boas, coisas ótimas e outras são só assim. Eu posso dizer que vivi coisas que queria viver, e outras que eu nem imaginava, e essas sim, me trouxeram os sentimentos mais intensos que nao cabem no meu peito e quando penso nisso, ai eu vejo que vale e valeu a pena. O resto, está tatuado, nao so na pele, mas na alma que transcede levando esses sentimentos sempre adiante de tempos em tempos. Acho que se eu olhar dessa maneira, ainda que não seja a maneira correta ou ainda que seja de cabeça pra baixo, não tem problema, porque pelo menos funciona, me ajuda a ver com clareza. Saudades eu tenho imensas, mas cada vez que ela aperta, escuto uma música, ainda que seja baixinho dentro da minha cabeça, olho uma foto, leio um poema ou fecho os olhos e vejo tudo acontecendo denovo. Acho que é a única maneira de levar a vida, não tem outro, apenas viver um dia, depois outro dia, e outro dia, debaixo pra cima, de cabeça pra baixo de cabeça pra cima...

Nenhum comentário: